Os toiros da ganadaria Passanha sairam superiormente apresentados na Corrida de Moura mas revelaram-se descastados na sua generalidade...
Começa a ser raro esta época sentarmos-nos numa praça de toiros em Portugal e assistirmos a um curro de uma ganadaria portuguesa. Seja por inovação ou por uma vertente mais económica, começam mesmo a escassear as corridas em que podemos desfrutar de um lote de hastados provenientes de uma divisa lusa.
Em Moura, a empresa Gestoiro tentou apostar num marketing do excessivo peso dos Passanhas para atrair público à praça, e o certo é que resultou, pois conseguiu juntar meia casa numa data morna nessa cidade alentejana. Toiros com idade, peso, algum trapio mas... faltou-lhe o essencial. Pouca casta, sem se empregarem e tendo pouca durabilidade durante as lides. E quando assim é... o toureio nem sempre rompe e a corrida salda-se como sonsa. Três toiros com menos de 600 kg, outros tantos com peso superior, ou seja dois pesos, mas em suma: uma medida!
João Moura deixou laivos da sua toreria ao primeiro, com o “Castelha”, ante um Passanha que se rachou logo no início dos curtos e que veio a descair para tábuas. Foi um animal parco de forças, que nem sempre transmitiu, mas que Moura soube solucionar os problemas com a referida montada, sobressaindo no antes e pós ferro. A sua segunda actuação ficou-se pela sua boa vontade, primeiro com o “Spartacus” e depois com o “Merlin”, tentou tudo para rubricar outro patamar mas o Passanha não possibilitou grandes brilharetes.
O primeiro de Ana Batista foi um toiro sério, algo montado, e reservado na maioria do tempo, perante o qual veio ao de cima as boas qualidades como toureira. Embora tivesse demorado a encontrar as distâncias mais correctas, foi ao 3º e 4º curtos que deixou o melhor registo da tarde: em dois ferros de emoção, a pisar terrenos de verdade. O primeiro mais em curto, com o toiro nos tércios, e o seguinte de largo, a pisar os terrenos do toiro e a cobrar um bom ferro na vertical e que o público soube valorizar. Foi pena o palmo não ter resultado da melhor maneira, para fechar uma lide que vinha em plano ascendente. O seu segundo toiro criou, igualmente, algumas dificuldades, pois acobardou-se e nem sempre teve clareza para com a cavaleira de Salvaterra. Com o “Forcado” deixou quatro curtos, a dar primazia às entradas frontais, mas as coisas não resultaram como certamente desejaria.
Tiago Carreiras não teve tarefa fácil com os seus toiros, neste seu primeiro compromisso como profissional. O primeiro investiu maioritariamente a “chouto” e adiantava-se à montada no momento da reunião, tendo-se recorrido do “Quirino” para solucionar tais adversidades. Deixou-se levar pelo público no último ferro, pois nada veio a adiantar à lide e já sem o toiro se manifestar, mas fica de registo os recortes na cara do toiro, levando este na espádua do cavalo. O segundo foi um cinqueño dentro da linha de todo o encierro proveniente da Pina, em que sobressaiu a sua fibra torera com o “Vigo”.
Os Passanhas não complicaram a vida aos dois Grupos de Forcados. Demoravam a arrancar-se mas depois foram francos nas suas viagens. Por Santarém pegaram Manuel Murteira e Nelson Ramalho à primeira e João Torres à segunda. Pelo Real Grupo de Moura foram solistas David Veríssimo à primeira, Valter Rico à segunda e Cláudio Pereira à primeira tentativa.
A direcção da corrida esteve a cargo de António José Martins com assessoria veterinária do Dr. Patacho de Matos.
Praça de Toiros de Moura, 15 de Maio de 2010. Meia Casa. Toiros de Passanha.
- João Moura - Volta e Volta
- Ana Batista - Volta e Volta
- Tiago Carreiras - Volta e Ovação
> Forcados Amadores de Santarém (1ª, 1ª e 2ª) e Moura (1ª, 2ª e 1ª).